Como precificar produtos corretamente
Muita gente que vende produto define o preço "no olho" ou só copiando o que a concorrência cobra. Isso é arriscado: você pode estar vendendo no prejuízo sem perceber, ou cobrando menos do que o mercado aceitaria pagar. Precificar bem exige olhar para três coisas: quanto custou o produto, quanto você quer ganhar, e quanto some no caminho até o dinheiro cair na sua conta.
O que compõe o custo do produto
O custo não é só o preço da matéria-prima. Se você faz o produto, considere também o tempo gasto na produção — mesmo que não pague um salário fixo pra você mesmo, seu tempo vale dinheiro. Se você revende, o custo é o valor de compra mais frete, se houver. Embalagem, etiqueta e qualquer material usado para entregar o produto ao cliente também entram na conta.
Markup: quanto cobrar a mais
Markup é a porcentagem que você adiciona em cima do custo para chegar no preço de venda. Um markup de 50% significa que você quer ganhar metade do valor do custo a mais. Um markup de 100% significa dobrar o valor do custo. Não existe número certo — depende do seu mercado, da concorrência e de quanto valor percebido o cliente enxerga no produto. Produtos artesanais ou personalizados costumam suportar markups mais altos, já produtos muito parecidos com o de concorrentes tendem a ter margem mais apertada.
Taxas que reduzem o que você realmente recebe
Se você vende por cartão ou por marketplace (como Shopee, Mercado Livre ou iFood), uma parte do preço de venda não chega até você. Maquininhas cobram entre 2% e 5% dependendo da forma de pagamento e prazo de recebimento. Marketplaces costumam cobrar comissões bem mais altas, entre 10% e 20%. Ignorar essas taxas na hora de precificar é um dos erros mais comuns — o produto até vende bem, mas o lucro real fica bem menor do que parecia no papel.
O papel do imposto no preço final
Dependendo do seu regime tributário, uma parte do preço de venda vai para o governo. Um MEI paga uma taxa fixa mensal, mas se estiver no Simples Nacional, a alíquota é calculada sobre o faturamento. Incluir esse percentual já no cálculo do preço evita que você descubra, só na hora de pagar o imposto, que o lucro do mês foi bem menor do que imaginava.
Por que revisar o preço periodicamente
Custos de matéria-prima sobem, taxas de marketplace mudam, e a concorrência se movimenta. Um preço que fazia sentido há seis meses pode estar te fazendo perder dinheiro hoje sem você perceber. Revisar o cálculo a cada troca significativa de custo, ou pelo menos a cada poucos meses, evita que a margem de lucro erode aos poucos.
